sexta-feira, 3 de março de 2017

Apaguei tudo o que escrevi

Apaguei tudo o que escrevi
não sei bem o que digo, às vezes
nesta imaginação já me perdi
e não acabo os reveses...

Gostar de amar inadvertidamente
é o pior desígnio para um coração sincero.

Mas sinto-o,
ainda que triste.
Sinto pena se nunca recomeçar
de bater o coração
por outro,
que só pede para amar.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Mas o meu coração sempre sobreviveu

Escusado é pensar, repensar
A vida roda como gira o globo
Os olhos que riram,
choram e desfiguram a face
que antes gargalhava
por imaginar ali um amor novo

Agora as mãos rasgam as folhas
do poema que escrevi;
Agora caem os sinais
Com que a imaginação me presenteia...
E a lua estava cheia
só porque o sol sempre brilha
e se um é da noite, o outro é do dia.

Não havia motivo,
nem demanda que Deus semeia
mas o meu coração sempre sobreviveu
à sua própria cegueira.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

A lua estava cheia

A lua estava cheia
O teu beijo foi certeza
Que na viagem da mente
O tempo parou aqui -
- Neste abraço tão quente.

Será este o meu refúgio?
Estará escrito no céu estrelado
Este amor tão antigo
Que sinto em mim entrelaçado?

E nós: dois seres inacabados?


segunda-feira, 21 de março de 2016

Os versos sangravam mais

Gostava de começar do início
Nesta folha em que ninguém escreveu

Mas tu sabes, meu amor,
Não foi assim que aconteceu.

Os versos sangravam mais
E, ao redor, a dor profunda
De me saber perdida
Nesta escrita imunda.


Escrito 28/02.


quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Escrita de magia

Quero sair deste ciclo
vicioso e viciante
que me faz sentir menina
e não a mulher errante.

Só a poesia liberta
e tem o tema que eu lhe quiser dar
não me prende nem subjuga
não me humilha nem quer em mim mandar.

Preciso de vós, versos meus
que nem sei o que dirão
antes de dentro de mim saírem.
Precisa de vós, meu coração
que dói mesmo sem razão;
e só é completo na minha poesia,
com esta escrita de magia.

sábado, 26 de dezembro de 2015

Caligrafia nova

O passado tem sido a tinta da minha caneta,
As histórias todas escritas num tom errado.
Porque discorrem verdades que já ninguém altera,
Num tempo verbal semicerrado...

Os versos pensados como os imaginei,
A verdade memorizada como a memorizei,
E a dor apertada como a apertei;
Num vazio vago que no vento voei.

Escrevo agora caligrafia nova,
A melodia inacabada que desconheço.
O futuro caminha calmo e a passo directo;
Mas o destino, esse, será sempre secreto.


«67. O passado é aquilo que conseguimos fazer do futuro»

- Para Onde Vão os Guarda-Chuvas - Afonso Cruz

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Folha em branco

Nada é mais belo
E nada é mais assustador,
do que esta folha em branco
onde escrevo e sou melhor.

Aqui nada existe

                      porém,

                               foi aqui que tudo imaginei;

As linhas arrastam-se em novos sentidos
Que nem eu decifrei;

O futuro vejo-o escondido
num pergaminho ainda por escrever
Se o quiser saber hoje
A verdade desta folha em branco devo beber.