quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Sigo a dançar

Não cheguei nem a metade
Estou viva
Sou da verdade.

Vivo sempre em ansiedade.
Da vida sei: contrariedade,
sou velha para a idade
mas busco a felicidade.

Já tinha pensado nisto antes
Mas pensar não é bom.
Vou dançar até esquecer.
Vou seguir o som.
Vou viver.

Não sei de quem é a voz ao fundo.
Não percebo o que me diz.

Se Deus escreve certo,
as linhas estão tortas;
Se for errado,
não finjo derrotas;
Sigo a gritar.
Sigo a dançar.


sexta-feira, 19 de maio de 2017

Poeira de outras vidas

Nem tudo o que semeiam é bom de colher.

Não acredites na primeira verdade vendida.

O novo cresce da terra,
Mas por vezes morre
e o vento vem varrê-lo.

Não te aquietes;
Não te perturbes;
Segue o teu caminho de cabeça erguida.

O que importa mantém-se igual.
O que altera não salga nem é sal,
mas poeira de outras vidas.


terça-feira, 25 de abril de 2017

Ser livre vem do coração

se o peito te dói
e a garganta te arranha a palavra que há muito oculta,
não és livre de a dizer?

se sentes vontade de abrir as asas
mas os pés estão atados ao chão
e te imobilizam;
se te pesa mais a alma
se te fecham os olhos
se fechas a tua mão
Não és livre. Não.
porque ser livre vem do coração.


25 de abril
Sempre.

quinta-feira, 30 de março de 2017

O Espelho

Estou perdida na encruzilhada
já não sei se estou sozinha,
a voz que escuto afastada
- é igual à minha
e, às vezes, está calada.

Quisera que fosses tu
o espelho deste meu ser desencontrado,
mas sem olhos não posso ver
o reflexo nele estampado.

sexta-feira, 3 de março de 2017

Apaguei tudo o que escrevi

Apaguei tudo o que escrevi
não sei bem o que digo, às vezes
nesta imaginação já me perdi
e não acabo os reveses...

Gostar de amar inadvertidamente
é o pior desígnio para um coração sincero.

Mas sinto-o,
ainda que triste.
Sinto pena se nunca recomeçar
de bater o coração
por outro,
que só pede para amar.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Mas o meu coração sempre sobreviveu

Escusado é pensar, repensar
A vida roda como gira o globo
Os olhos que riram,
choram e desfiguram a face
que antes gargalhava
por imaginar ali um amor novo

Agora as mãos rasgam as folhas
do poema que escrevi;
Agora caem os sinais
Com que a imaginação me presenteia...
E a lua estava cheia
só porque o sol sempre brilha
e se um é da noite, o outro é do dia.

Não havia motivo,
nem demanda que Deus semeia
mas o meu coração sempre sobreviveu
à sua própria cegueira.